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sexta-feira, maio 21, 2004
Doces sonhos
Nos primeiros meses de vida, o bebê passa metade do tempo em que dorme sonhando.
Iracy Paulina
Olha, ele está sonhando com os anjinhos! Essa é a frase clássica que os adultos usam para explicar por que o bebê, dormindo, dispara aquele sorriso encantador. Será mesmo que desde pequeno ele sonha? Com o que sonharia? Para que serviriam esses sonhos?
Não existem pesquisas conclusivas para responder a essas perguntas e quem poderia falar com mais propriedade sobre o tema, o próprio sonhador, ainda não domina as palavras. Mas neurologistas, psiquiatras e psicólogos levantam algumas hipóteses a esse respeito.
Os indícios mais concretos são apresentados pelos neurologistas que estudam o sono. "Os sonhos acontecem num estágio do sono que chamamos de REM", explica Rubens Reimão. REM é a sigla em inglês para Movimento Rápido dos Olhos, característica observada nas pessoas quando elas atingem esse patamar de repouso. Enquanto dormimos, alternamos fases de sono não-REM com o sono REM. Na primeira fase, a não-REM, as ondas cerebrais vão desacelerando. Na REM elas aceleram novamente, e o cérebro passa a trabalhar quase que no mesmo ritmo de quando estamos acordados. Tudo isso é medido por um exame, o eletroencefalograma, e pela observação da movimentação dos olhos e do grau de relaxamento muscular de quem dorme.
Sono REM
Contrapondo os resultados desses exames com o relato das pessoas estudadas, verificou-se que é na fase REM que acontecem os sonhos. "Os bebês, inclusive os prematuros também têm sono REM, como provam vários estudos. Isso nos leva a acreditar que mesmo antes de nascer, ainda no útero, eles já sonham", observa Reimão.
Logo após o nascimento, cerca de 50% das l6 horas diárias dormidas pela criança são de sono REM. À medida que ela cresce, esse porcentual vai caindo. "Por volta dos 2 anos, a média de sono REM fica em 30%, contra os 20% dos adultos", compara a neuropediatra Márcia Pradella-HaIlinan.
Revendo experiências
Mais complicado é descobrir o que ocorre dentro da cabecinha dos bebês quando estão na fase REM do sono. Para o neurofisiologista Fernando Pimentel de Souza, nos primeiros meses de vida, os sonhos que as crianças têm são muito diferentes dos de um adulto. "Em vez de sonhar, o bebê 'vive' a herança genética de seus antepassados. É como se ele estivesse se submetendo a um cursinho rápido de como ser gente, repassando mentalmente toda a carga de movimentos e comportamentos herdados de seus ancestrais", diz Souza.
Sonhar ajuda a consolidar a memória
Outra corrente de especialistas acredita que, embora os primeiros conteúdos sejam diferentes, o mecanismo de construção do sonho nos bebês é igual ao dos adultos. "Nos sonhos, as pessoas revivem suas experiências, misturando o que aconteceu no dia anterior com coisas do passado remoto", diz a neuropediatra Márcia Pradella-HaIlinan. Esses sonhos são alimentados principalmente por imagens que captamos através da visão, experiências motoras, sons e odores. Nos bebês, o sentido visual é um dos primeiros a se desenvolver. "O bebê dirige a cabeça para objetos brilhantes ou vermelhos já na primeira semana de vida. E, provavelmente, seus sonhos são formados de luz e cores", observa Márcia.
Daí para diante, o repertório vai se ampliando à medida que aumentam suas aquisições e vivências. Passam, então, a povoar a mente do pequeno dorminhoco os objetos que ele seguiu com o olhar curioso durante o dia, as brincadeiras com a mãe, sua própria imagem que já reconhece no espelho. Dos 6 aos 9 meses, com o sentido da visão mais aprimorado, ele começa a enxergar em profundidade: já pode, a partir daí, sonhar em três dimensões.
Imagens e sensações
Alguns estudiosos defendem a tese de que os primeiros sonhos dos bebês independem de imagens. "No início, eles refletem mais sensações de aconchego, plenitude, fome, abandono ou outros sentimentos provocados por situações pelas quais a criança passou enquanto estava acordada" , diz a psicóloga Rosane Landmann.
Há quem vá ainda mais longe e afirme que os sonhos do bebê incorporam também o que o pequeno sentia quando estava na barriga da mãe. A criança revive climas e sensações da vida intra-uterina. "São lembranças que ela traz registradas na memória. Há casos em que, por volta dos 3 anos, quando já consegue se expressar, a criança relata, com muita naturalidade, alguns detalhes dessa etapa como, por exemplo, o fato de que lá dentro (da barriga da mãe) tinha água", afirma a psiquiatra Maria José Franklin. "É também a partir dessa idade que a criança começa a separar a realidade do sonho, coisas que o bebê confunde", explica a psiquiatra Cecília das Neves Assumpção.
Uma forma de aprender
O sonho do bebê não é só fantasia: tem lá seus efeitos práticos. "As pesquisas mostram que ele desempenha um importante papel na organização do sono", diz o pediatra e psiquiatra Wagner Ranna. "Qualquer pessoa que não passe pelo estágio do sono REM dorme mal", afirma. Ranna transpôs esses conhecimentos para o tratamento de bebês com insônia. "A observação clínica dessas crianças insones nos leva a crer que elas não conseguem sonhar direito", explica o pediatra. Se isso persistir, por volta dos 2, 3 anos elas serão sérias candidatas a apresentar dificuldades no desenvolvimento ou comportamentos de hiperatividade.
Sonhar também é uma forma de aprendizagem. "O sonho ajuda a consolidar a memória", afirma o neurofisiologista Fernando Pimentel de Souza. É através dele que selecionamos o que vamos aprender. Ao passar em revista o que viveu, o cérebro escolhe quais as informações que serão gravadas na memória e quais serão jogadas fora —um processo seletivo que tem a ver com o impacto emocional daquelas experiências. “Para o bebê, portanto, o sonho é o momento no ele processa e apreende as intensas descobertas que está fazendo” afirma a neuropediatra Márcia Pradella-HaIlinan. "Uma das hipóteses que explica por que o bebê tem uma quantidade maior de sono REM é essa: ele precisa elaborar o grande de volume de informações que recebe nos primeiros meses de vida complementa o neurologista bens Reimão.
OS PESADELOS
Não são apenas coisas boas que povoam os sonhos dos bebês. “Quando eles são submetidos, durante o dia, a experiências desagradáveis, como ficar expostos a ambientes barulhentos e estranhos, por exemplo, à noite podem acordar sobressaltados, chorando, ao relembra-las”, descreve a psicanalista Maria Cecília Proença da Silva
Dores ou desconforto do corpo, como cólicas ou fome, também costumam se misturar aos sonhos, transformando-os em pesadelos : E isso não tem nada a ver com terror noturno, um distúrbio do no que costuma aparecer em crianças a partir dos 3,4 anos.
"O pesadelo serve para digerir estímulos negativos", conta a terapeuta. Apenas se eles se repetirem com muita freqüência, atrapalhando o bom andamento sono da criança, pode ser necessário um acompanhamento terapêutico. Nesses casos, segundo Maria Cecília, cerca de quatro sessões com a criança e os pais costumam ser suficientes.
Entrevistados: Cecília das Neves Assumpção, psiquiatra especializada em crianças; Fernando Pimentel de Souza, neurofisiologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais; Maria Cecília Proença da Silva, psicanalista e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise;
Maria José Franklin, psiquiatra e professora da Universidade de Campinas, SP; Márcia Pradella-HaIlinan, neuropediatra do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo/Unifesp; Rosane Landmann, psicóloga, São Paulo; Rubens Reimão, neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo; Wagner Ranna, pediatra e psiquiatra do Instituto da Criança da Universidade de São Paulo.
Revista Crescer, ano 8 nº 85, dezembro de 2000
:: Por Kaluna | 19:54 | ::
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segunda-feira, abril 26, 2004
O MUNDO EM MINHA BOCA
No começo, só dormir e mamar. Depois, uma tímida maozinha chega aos lábios. Com alguns meses de treinamento, a criança jà está mais do que preparada para analisar, com a boca, qualquer objeto. Um mundo novo e sedutor que vai sendo descoberto e explorado. Aí, coitados dos brinquedos que caírem em suas mãos...
Primeiro, um dedinho na boca, depois a mãozinha, o dedo do pé ou o pé inteiro! Cenas como essa são comuns até um ano de idade. Ao colocar os objetos na boca, o bebê aprende a interagir com o mundo, desenvolvendo seus sentidos e emoções. Nos dois primeiros meses de vida, além de mamar, ele primeiro suga o dorso da mão, explorando cada centímetro. Assim, inicia seu aprendizado de conduzir os objetos à altura dos lábios, coordenando os movimentos dos braços (experiência motora) com a sensação agradável de colocar a mão (ou o dedo) na boca. Além disso, segundo vários estudos, os bebês se acalmam enquanto chupam o dedo e outras partes da mão. As mamães se divertem, mas, às vezes, ficam preocupadas, pensando que ele está com fome. Mas nem sempre é esse o motivo. Ele está usando e abusando do reflexo de sucção, que é importantíssimo, pois é assim que a criança vai se alimenta também nesse período que ele vai começar a construir suas emoções
Desenvolvimento psicológico
Segundo a psicologia, a chamada fase oral, que é mais marcante até os três meses, mas que dura para sempre, é fundamental por toda a vida. Quando o bebê nasce e, após o primeiro choro, volta a dormir, só vai acordar quando, pela primeira vez, sentir fome. Pela boca, a criança tem sua primeira relação com o mundo externo. Começa a conhecer a vida pela boca, através da mamada e da mãe que, fundamentalmente, vão fornecer seus primeiros registros cenestésicos (memória cenestésica - inconsciente - da qual não lembramos). Esses registros são viscerais, como a fome, a vontade de urinar. Por exemplo, quando uma pessoa diz que sente sempre um vazio na barriga, isto está relacionado a uma falta nesta fase. Por isso, é fundamental, assim como o papel da mãe. São as únicas coisas com as quais o bebê "se preocupa", uma vez que ainda não se lembra de nada, apenas das suas necessidades. E o início da sua percepção do mundo. Somente após os dois anos é que o bebê forma um conceito de identidade e começa a guardar lembranças (memória evocativa).
Pelo menos até os 3 meses a mãe, através da mamada e dos cuidados, é o mais importante elo entre a criança e o resto do mundo. Nos primeiros meses esses são os únicos contatos da criança, quando não está dormindo. Um bebê, no primeiro mês, acorda apenas para mamar. A criança começa a criar a noção de que ela não se basta sozinha e que, à medida que sente fome, depende sempre de alguém para suprir suas necessidades. Daí a importância da relação da mãe com o bebê: ele tem a necessidade do leite e uma carência de afeto que ela deverá suprir.
A partir daí, ele vai construir seu mundo através dessa relação.
O bebê não suga apenas o alimento, mas também a emoção de quem lhe fornece alimento. Principalmente da mãe. Se ela está tensa, alegre, triste, animada, ansiosa, nervosa, feliz, relaxada, enfim, o estado em que estiver, vai ser captado e registrado pelo bebê na sua memória cenestésica. Toques, carinhos, cuidados são muito importantes nessa fase, mas o fundamental é o clima da mãe. Se este não for bom, o desenvolvimento psicológico não será adequado, pois são estas as primeiras impressões que a criança vai registrar do mundo. Isso vai influenciar diretamente nos relacionamentos futuros.
Se a mãe transmite uma sensação de aceitação, proteção e segurança, estará favorecendo o desenvolvimento psíquico da criança, que vai se sentir mais segura e preparada nas situações que enfrentará no futuro. Mas, se o bebê captar rejeição e ansiedade, tenderá a ter maiores problemas nas futuras relações pessoais. Quanto mais bem cuidado, de modo acolhedor, estará mais capacitado psicologicamente. Por isso, a importância dessa fase. Quando a criança não tem o registro de satisfação psicológica nessa fase, tenderá a ser uma pessoa mais insatisfeita com os outros e com a vida. Ao mesmo tempo, é importante que a mãe não fique ansiosa para dar comida aos primeiros sinais de fome, por exemplo.
Muitas vezes, ela mama até a saciedade, mas continua chorando. Ou continua a mamar mesmo depois de estar saciado. Isto ocorre porque a satisfação física difere da satisfação psíquica, apesar de se relacionarem. Não basta saciar a fome da criança, se ela se encontra num ambiente tenso ou está carente de afeto. O afeto ou a tensão são captados pelo bebê, principalmente na hora da mamada. Esse clima captado é que vai garantir, ou não, os registros psicológicos de satisfação e de insatisfação, tão essenciais para o desenvolvimento psicológico da criança.
A mãe precisa ter a sensibilidade de perceber como está se sentindo, para tentar passar o melhor possível para o filho. Depois dessa fase, e de outras duas que se seguirão até os dois anos, ele começa a criar a noção de identidade psicológica (o Eu) e noção de identidade corporal.
Desenvolvimento neurológico
Aos três, quatro meses, o bebê já está preparado para levar, com mais frequência, sua mãozinha aos lábios. Para orgulho (e desespero) dos pais, também começa a segurar objetos e a sugá-los. Inicialmente é uma ação motora acidental: no que a criança vai conduzir a mão à boca, em vez de encostá-la, põe sem querer o objeto. E descobre que essa experiência é agradável, passando a repeti-la várias vezes. As terminações nervosas da boca levam ao cérebro do pequenino todas as impressões recolhidas quando entram em contato, por exemplo, com o seio materno, a mamadeira, a mãozinha. Pouco a pouco o bebê se torna capaz de diferenciá-los, escolhendo o que quer e o que não quer. Nessas descobertas a criança enriquece, progressivamente, a visão de si mesmo, construindo, pouco a pouco, a percepção de um eixo corporal.
Coordenação motora
De tanto treinar, por volta dos cinco meses, nosso explorador-mirim adquire uma coordenação buco-manual perfeita, ou seja, está apto a levar qualquer objeto à boca. Segura o chocalho e demais brinquedos com mais firmeza. Nessa idade, o bebé normalmenteconsegue realizar todas as proezas quando está de barriga para cima. De bruços, também pode alcançar os objetos, mas, sentado, ainda não é capaz de pegá-los. Isso só será possível aos sete meses, quando já possuir o equilíbrio necessário para sentar com apoio. Com essa liberdade conquistada, a criança vai até o brinquedo mais próximo, suspende-o e, mantendo essa coluna ereta, coloca esse objeto na boca. Não satisfeita, ainda pode batê-lo no chão para escutar os barulhos produzidos.
Com oito meses, o bebê não precisa mais do apoio das mãos para permanecer sentado e pode se deslocar em movimentos laterais. Engatinhando, vai atrás dos brinquedos e os põe na boca. Ele só solta sua presa quando encontra outra vítima mais interessante. Aos dez meses, a criança fica de pé e quer conhecer o mundo, isto é, todos os cômodos da casa. Essa é a hora dos pais tirarem do alcance dos lábios do pequeno os objetos que ofereçam algum perigo.
Com um ano, ele pode andar. Consegue também se abaixar facilmente para pegar qualquer objeto. Nessa época, já desenvolveu as principais funções motoras, do simples rolar até o tão esperado caminhar. Aqui é importante destacar que cada fase do crescimento é diferente. Por isso, o bebê precisa aprimorar sua motricidade buco-manual constantemente, ou seja, tem de coordenar os movimentos de conduzir a mão à boca a toda nova aquisição motora. Não é porque aprendeu a pegar os objetos de bruços, ou a sugar de barriguinha pra cima, que possa fazer tais façanhas sentado.
Independência e fala
As conquistas motoras do bebê ocorrem paralelamente ao seu desenvolvimento cognitivo (intelectual) e afetivo. Não dá para separar o lado motor das emoções e dos processos de construção da inteligência. No entanto, muitos pais não sabem que morder os brinquedos e guiar a mão até os lábios é brincadeira séria, que traz muitas vantagens.
A principal delas é a independência: a criança ganha a coordenação motora necessária para, futuramente, ser capaz de levar biscoitos à boca, manejar os talheres, enfim, de alimentar-se sozinha. Ela também se prepara para fazer outras atividades importantes, como escovar os dentes.
Ao colocar mil e uma coisas na boca, a criança desenvolve a motricidade dos lábios, da bochecha e, é claro, da língua. Além disso está se exercitando para adquirir fala e linguagem. Afinal, para aprender a falar, é preciso aperfeiçoar a motricidade dos músculos da região bucal. Depois, o pequeno junta essa vivência motora com a compreensão e faz a linguagem.
Sem essa experiência, ele poderá apresentar algumas dificuldades ao pronunciar as primeiras palavras. Quando suga, o bebê começa a coçar as gengivas. Ao contrário do que muitos pais pensam, esse é um hábito saudável: a criança que esfrega as gengivas com frequência acaba rompendo-as com poucos problemas para o nascimento dos dentes.
Descobrindo o mundo
No primeiro ano de vida, como é que o bebê descobre o mundo, constrói sua inteligência? E justamente através da exploração dos objetos, o que inclui partes do seu próprio corpo e dos adultos. A criança também está vivendo, sensitivamente, a mão do outro. Se pudesse se expressar por palavras, exclamaria: "Hum! Essa mão é diferente da minha!" Na hora em que está sugando sua mão, ela experimenta uma dupla sensação: o prazer na mão e na boca. Se for a mão de outra pessoa, o pequeno sente apenas o prazer oral. Então, essas distinções passam a ser feitas na sua cabeça. A medida que a criança vai evoluindo motoramente, a sucção perde terreno. Quando aprende a sentar, por exemplo, vê o mundo com outros olhos. O mesmo chocalho oferecido ao bebê deitado toma outra feição quando ele está sentado. Agora, não precisa mais só sugar. Pode ver os objetos antes.
Se o neném estiver bem emocionalmente, sempre aprimorando suas funções motoras, a tendência é que a sucção seja mais um modo, e não o único, de descobrir o mundo. Afinal, ela vai sendo, pouco a pouco, substituída por outras habilidades, como a visão e o tato.
Saúde e Segurança
Para os pais, os progressos do bebê sempre são motivo de alegria. Mas é preciso atenção em relação aos objetos que rodeiam a criança e à higiene. Uma caixa de costura aberta, com agulhas, alfinetes e botões brilhantes e coloridos, por exemplo, é algo extremamente perigoso e sedutor. E importante que a mamãe fique atenta e vá conferindo, a cada passo, tudo o que ele está tentando pegar, pois certamente irá parar na boca: parafusos, bolinhas de gude, remédios, lâminas de barbear. Isso também vale para os mais crescidinhos, que também aprontam das suas. Se acontecer da criança engolir algo, não se afobe. O primeiro passo será a localização do objeto, através de um exame de raios X. Mesmo ele estando bem, leve-o ao Pronto Socorro ou ligue para o pediatra, pedindo orientação. Antes disso, não tente usar cotonetes, pauzinhos, pinças ou os dedos para retirar o corpo estranho. Você poderá complicar, ainda mais, a situação. A criança deve ficar sob observação cuidadosa e prolongada, pois alguns corpos estranhos não são identificados pelo raios X. As vezes, os objetos vão se alojar nos pulmões. E necessário fazer, então, uma broncoscopia a fim de localizá-los e retirar o mais cedo possível. Antes do socorro médico, você só deve interferir caso a criança esteja mal, sufocada, com o rostinho azulado, tossindo.
Para isso, existem manobras especiais, chamadas Manobras de Heimlich. Elas criam uma pressão interna positiva, provocando a saída do objeto retido. Mesmo se não conseguir resultados na primeira tentativa, não desista. E o melhor meio de tentar resolver o problema até chegar ao Pronto Socorro. Existem dois tipos de manobras: um para bebês pequenos e outro para crianças maiores. Essas manobras podem salvar a vida deles e, em alguns países, fazem parte de treinamento obrigatório para leigos. Prevenir é muito fácil. Os pais devem fazer uma alteração nos seus hábitos para nunca deixar, por exemplo, o vidrinho de remédios coloridos em cima da mesa, ou os parafusos no tapete da sala. Reorganizar a disposição da mobília e dos eletrodomésticos para facilitar, sem perigo, a movimentação da criança. Essas medidas vão evitar que certos objetos como canetas, grãos, pilhas (muito perigosas, pois contêm substância altamente tóxica), clipes de papel, entre outros, sejam deixados soltos pela casa, ao alcance fácil dos mini-exploradores. E importante também que a mamãe mantenha as mãos do bebê sempre limpas, a fim de evitar possíveis infecções e doenças, que podem ser transmitidas pelo contato destas com a boca.
Colaborou Rafael Millon
Consultores: Dr. Eric Schussel, psicoterapeuta e pediatra, presidente do dep. de Saúde Mental da SBP e Dra. Tânia Saad, neuropediatra
Artigo retirado da Revista Pais e Filhos
Ano 33 n°393
:: Por Kaluna | 10:58 | ::
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terça-feira, abril 06, 2004
Hj é anivaersário da Rebeca!!
Felicidades, muitos anos de vida e muuuuito fôlego pra cuidar do Breno e os irmãozinhos q vierem!!!
:: Por Marcia Ajiki | 01:17 | ::
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sábado, março 27, 2004
Queridas Mamães:
Desculpem a demora em postar, mas o meu Tariq está doente, além disso eu decidi voltar a estudar. Assim as coisas estão meio caóticas por aqui, então nem deu tempo para escrever nada de próprio punho. Acontece que eu ia escrever algo baseado em algumas palavras do José angelo Gaiarsa, de um texto que li, mas não deu tempo. Então resolvi colocar o próprio texto, que é ótimo, me fez pensar muito, mexeu mesmo com alguns conceitos meus. Quem sabe assim podemos conversar alguma coisa a partir dele? Espero que gostem.
O Mau Olhado
A maior parte das pessoas não sabe as caras que faz, e essas caras têm muita influência sobre as pessoas que estão em volta, sobretudo as crianças de poucos anos de idade, que vivem muito mais dos olhos do que das palavras. Portanto, muito cuidado com as caras que se fazem diante delas. Ela está aprendendo também a fazer caras e, como se imagina, esse é um aspecto muito importante do aprendizado expressivo, aprendizado dos gestos e das faces e dos tons de voz que comunicam estados emocionais. Pais que frequentemente se olham de cara feia, trocam palavras azedas ou, pior, entram em grandes brigas gritadas e xingadas, depois não têm a menor competência para exigir que as crianças vivam em paz. E o que é pior, em casos assim, muito mais frequentes do que se pensa, os pais, num esforço de negar as próprias más ações, passam a atribuí-las inteiras aos filhos. Vamos dizer assim: pai e mãe não reconhecem que podem ser grossos e desagradáveis numa briga entre eles; certamente acharão que as crianças são ásperas e desagradáveis o dobro daquilo que as crianças realmente são. Porque as crianças estariam mostrando a própria maldade e, ao mesmo tempo, assumindo a maldade dos pais, intensificando as brigas entre elas, usando as mesmas caras e as mesmas falas dos que as cercam. Mas a imitação vai além disso, alcançando também as vozes, caras, os modos e a postura.
Quero dizer o seguinte:
muitos pais declaram para um conselheiro ou um psicólogo que muitas vezes brigam entre si, mas procuram fazê-lo a portas fechadas para que as crianças não percebam. Na verdade, a guerra conjugal é feita não só de palavras, mas também, e talvez principalmente, de caras feias. Quando mamãe ou papai amanhecem ou ficam de cara feia, é bem provável que as crianças briguem mais entre si.
É fascinante verificar quanto as crianças dramatizam os relacionamentos dos adultos que vivem próximos delas. São imitações difíceis de reconhecer, porque as pessoas não têm noção da cara que fazem — nem aceitam como seus os próprios maus sentimentos. No entanto, a criança, que está de fora e está olhando, percebe muito bem tudo isso e começa a sofrer de coisas parecidas; algumas ela talvez queira ou goste, e os pais também! Mas muitas outras imitações ocorrem sozinhas; isto é, ela começa a fazer como os pais fazem sem que ninguém perceba. Trata-se de imitações inconscientes (de "identificações"). Esta situação, muito comum, é embaraçosa e com frequência gera cenas feias, porque os pais, retratados nos filhos, os criticam e punem, por vezes seriamente, por serem caricatura daquilo que os pais reprimem — uma caricatura do que os pais estão fazendo.
Esse é um dos aspectos mais delicados e difíceis da educação. É preciso lembrar sempre: quanto menor a criança, maior a importância do olhar na sua comunicação com o mundo. E nestes primeiros anos verdes que nós aprendemos quase tudo aquilo que se chamaria próprio da personalidade, a estrutura ou forma do caráter, suas raízes primárias. Quase tudo que acontecerá depois tenderá, com intensidade, a ser repetição dos começos. Também os tons de voz e a própria postura da criança têm muito a ver com a imitação dos adultos. Dificilmente encontraremos uma criança bem ereta junto a pais ostensivamente humildes ou encolhidos.
GAIARSA, José Angelo. Minha Querida Mamãe. Ed. Gente, 1992, São Paulo, págs 28-29.
:: Por Kaluna | 15:49 | ::
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quarta-feira, março 24, 2004
Nasceu Hanna (da Jussara)
A notícia está um pouco atrasada, mas...
Nasceu no dia 21 de março (primeiro dia de Primavera), Hanna Elisabeth com 3830gr. Na Holanda não se tem o costume de medir a criança, mas o pai garante q é bem grande.
Parabéns guerreira Jussara pela linda Hanna ( vc sabia q Hana
Clique aqui para ver a foto da linda Hanna!
Q maravilha.. agora pouco fiquei sabendo q a Ingrid estava conversando com ela qdo a bolsa estourou.. assim como foi comigo... (^_^)
:: Por Marcia Ajiki | 08:21 | ::
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quarta-feira, março 17, 2004
Nasceu a Mimi
Meninas, nasceu o neném da Erika às 11:24 h de hoje, o marido dela postou somente que foi de parto normal ;)
Depois ela entra em mais detalhes. Parabéns Erika!! Que Deus abençõe sua linda princesinha :)))
:: Por Anônimo | 23:28 | ::
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quinta-feira, março 11, 2004
Quem amamenta tem cardápio especial
O neném nasceu e você só pensa em voltar ao corpo de antes. Calma! Durante a amamentação, a mulher necessita de 500 calorias a mais do que habitualmente. Além do cálcio, das proteínas, vitaminas e dos aminoácidos que consome para produzir o leite. Portanto, nada de dietas antes de consultar seu médico.
De olho na balança
A gravidez foi ótima, você engordou apenas o recomendado pelo obstetra ou até um pouco menos. Agora, que vai amamentar o bebê, precisa de um reforço alimentar para suprir as 500 calorias/dia de que seu corpo precisa para fabricar o leite materno.
Quem está além do peso já tem a reserva: nas gordurinhas a mais da barriga, do culote, dos braços, das coxas e costas. E pode utilizá-las, sem problemas. Mas, as magrinhas, certamente, deverão seguir um cardápio que supra esta diferença. O próprio obstetra pode orientar, de acordo com a necessidade calórica de cada mulher.
Muito mais leite
Ele acaba de mamar e você já está com sede. Sinal de que precisa aumentar o consumo de líquido. Até porque, duas horas depois, seu neném estará mamando novamente. Água, suco, água de coco, frutas. Para repor o cálcio: leite, queijos, requeijão, tofu, iogurte, coalhada, canjica, atum, sardinha, e os feijões, muito protéicos.
Ricos em vitaminas do complexo B e, portanto, energéticos, estes alimentos não devem faltar na mesa da mamãe: arroz, milho (em forma de fubá, angu, polenta), levedo de cerveja, caldos de carne e de galinha. Proteínas? Abuse do peixe, frango, carne, ovo (especialmente a clara), derivados de soja. Na salada, o broto de alfafa faz a reposição dos minerais.
Sempre cansada?
É normal. Você dorme menos horas, tem que atender o bebê, a casa, a família. Fica sempre a sensação de que o dia vai acabar e não deu para fazer tudo. Além disso, o organismo está, de fato, debilitado pela gravidez, o parto e a amamentação. Algumas mulheres se queixam de terem perdido cabelos, de sentirem os dentes mais fracos; outras, até, de um começo de anemia.
Melhor prevenir, ajudar o corpo a enfrentar, mais facilmente, tantas novas exigências. Hora de repor e criar, mesmo, uma reserva de vitaminas (B6, C), aminoácidos (cistina) e minerais (zinco, selênio). Ajudam a fortalecer o tônus muscular, inclusive da pele do rosto, evitam a queda dos cabelos e previnem o envelhecimento. Outra dica: a gelatina de peixe, em pó, é ótima para firmar a musculatura.
Intestino fora de ritmo
Mais para o preso, especialmente se você já sentia alguma dificuldade antes da gravidez. Nada de tomar laxantes, porém, para não causar cólicas no neném. Experimente esta receita: cozinhe uma ameixa seca, por 20 minutos; bata, com iogurte, no liquidificador até formar um purê e guarde, em potinhos, na geladeira. Se quiser, abra um papaya e coloque um pouco da mistura na polpa. Fica delicioso. Frutas como a pêra e a manga também auxiliam a regularizar o intestino.
Terminantemente proibido
Álcool, cigarro, tranqüilizantes, antidepressivos, drogas. Convém evitar: café, chá preto, mate (diminuem a absorção de cálcio e ferro); refrigerantes tipo cola (têm muita cafeína); temperos picantes e refeições pesadas, tipo feijoada (provocam gases e, conseqüentemente, cólicas no bebê). Pelo mesmo motivo, diminua a quantidade de vegetais como a couve-flor, couve-de-bruxelas, o repolho, brócolis, espinafre. O chocolate não está proibido, desde que não ultrapasse os 30g/dia. Além disso, pode causar diarréia.
Não à flacidez!
Difícil evitar o efeito engorda/emagrece. Mesmo quem sempre fez ginástica, acaba ficando com a musculatura mais fragilizada, principalmente na região do abdômen, parte interna das coxas, dos braços e até nas bochechas. Você, então, parte para um regime: perde peso, mas não volta à forma.
A academia tem que ficar para depois. Mas, em casa mesmo, é possível se exercitar. Um pouco de abdominal, peso para os braços, quinze minutos de bicicleta e, enquanto o bebê descansa, uma caminhada ao ar livre já são um bom começo. Se preferir, consulte um profissional, que vai recomendar os movimentos mais adequados para você, até que esteja liberada para escolher o tipo de ginástica que desejar.
texto retirado do site www.mamybaby.com.br
:: Por Marcia Ajiki | 01:27 | ::
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